Cigarras típicas
Cicadidae
- Grupo
- Insetos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 15
O barulho que toma a mata no calor não sai da boca. Sai de duas membranas rígidas nas laterais do abdômen do macho, que ele estala para dentro e para fora centenas de vezes por segundo, e o abdômen oco funciona como caixa de som. É o inseto mais alto do mundo, e nem tem cordas vocais.
Fotografei duas. Em novembro de 2021, em Maresias, uma pousada num braço: corpo escuro e mosqueado, com um tom esverdeado na cabeça e no dorso, e as asas transparentes e nervuradas dobradas em telhado. Em novembro de 2022, em Itu, outra numa pedra, essa preta e lustrosa, com as asas abertas, mostrando as pernas alaranjadas e os olhos grandes plantados nos cantos da cabeça.
Os dois encontros em novembro não são coincidência. Elas saem no calor, e é por isso que o canto virou sinônimo de verão.
A parte que passa despercebida é a mais impressionante. Antes de virar isso, a cigarra viveu anos enterrada, chupando seiva de raiz no escuro, sem asa e sem olho de adulto. Um dia sobe, agarra num tronco, racha as costas e sai voando. A casca vazia que fica agarrada na árvore é o que quase todo mundo já viu sem saber o que era.
Esta ficha é de família inteira, porque nenhuma das quinze fotos permitiu descer mais. Cigarra se separa por detalhe da genitália e pelo canto, e o canto não estava gravado.
Quinze fotos de duas cigarras e de um som que todo mundo aqui reconhece de olhos fechados.