Martim-Pescador-Verde
Chloroceryle amazona
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Cabreúva
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 5
Esse pássaro mora num túnel cavado no barranco. O martim-pescador-verde não faz ninho de gravetos: ele escava um corredor comprido na parede de terra da beira do rio, e lá no fundo, no escuro e no seguro, é onde ficam os ovos. Uma casa-caverna com vista pra água.
A vista pra água não é à toa: a água é o mercado dele. O martim-pescador-verde passa o dia pousado num galho seco debruçado sobre o rio, imóvel, só o olho trabalhando. Quando um peixinho descuida, ele despenca num mergulho rápido e certeiro, e volta pro poleiro com o almoço atravessado no bico. O bico, aliás, é a ferramenta perfeita: comprido, pontudo, um arpão de pesca.
De roupa, ele honra o nome: verde-metálico por cima, brilhando ao sol, com o peito branco. O macho usa uma faixa castanho-avermelhada no peito, como uma gravata; a fêmea troca a gravata por desenhos verdes sobre o branco. É um martim de bom tamanho, quase 30 centímetros.
Quando cruza o rio voando, costuma soltar um trinado áspero e forte, anunciando a passagem como uma sirene. E a presença dele diz algo bom: martim-pescador só fica onde a água tem peixe e saúde. É um fiscal de rio com penas.
Essa foto fiz no Perequê, em Ilhabela, ele estava num galho sobre a água, naquela imobilidade de quem está trabalhando muito.
Se você passar por um rio e vir um pássaro verde parado feito estátua num galho, espera o mergulho. Vale cada segundo de espera.