Estrelinha-ametista
Calliphlox amethystina
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Guarulhos
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 5
A garganta desse beija-flor é uma joia que liga e desliga. O macho da estrelinha-ametista carrega no papo penas cor de ametista, aquela pedra roxa, mas o brilho só acende quando a luz bate no ângulo certo. De um lado, parece um passarinho escuro comum; ele vira o pescoço, e de repente: um clarão roxo, como se alguém tivesse aceso uma pedra preciosa. Vira de novo, apaga. Uma joia com interruptor.
E tudo isso num dos menores beija-flores que existem. A estrelinha faz jus ao nome: é minúscula, o dorso verde, a cauda curta com um recortinho, e no macho o colar branco emoldura a tal garganta de ametista. A fêmea é verde por cima, clarinha por baixo, com os flancos canela.
O jeito de comer dela tem estratégia: em vez de guardar um canteiro só pra si, ela faz rota. Visita uma flor aqui, outra ali, seguindo uma sequência de pontos espalhados, como quem cumpre um roteiro de entregas. Os cientistas chamam isso de "traplining"; a gente pode chamar de beija-flor carteiro. No caminho, ainda caça artrópodes miúdos no ar.
O ninho é um copinho de paina e teia de aranha, colado num galho fino, tão pequeno que passa fácil por um nó do galho.
Essa foto fiz em Guarulhos, num canto arborizado: ela apareceu, acendeu o roxo por um instante, e foi o instante que a câmera pegou.
Se algum dia um beija-flor escuro te parecer sem graça, muda de posição e olha de novo. Pode ser que ele esteja só esperando o ângulo certo pra mostrar a joia.