Mariposa-Ornatrix
Utetheisa ornatrix
- Grupo
- Insetos · mariposa
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 11
Essa mariposa caiu numa teia de aranha, e a chance dela sair viva de lá é grande.
O que salva a mariposa é a comida que ela comeu quando era lagarta. A lagarta se alimenta de crotalária, uma planta de flor amarela que carrega veneno nas folhas. Ela come, não se envenena, e guarda o veneno dentro do próprio corpo. Ele continua lá depois que a lagarta vira mariposa, e continua lá quando ela cai na teia.
A aranha descobre isso pelo gosto. Aranhas de teia que mordem uma dessas costumam cortar os fios em volta e deixar a mariposa cair, livre. Em experimentos, mariposas criadas com comida sem o veneno foram devoradas normalmente. Ou seja, não é o tamanho nem o desenho das asas que faz a aranha desistir, é o sabor.
A parte mais surpreendente vem depois. Na hora do acasalamento, o macho entrega à fêmea um pacote que leva o esperma e uma porção do veneno que ele guardou a vida inteira. A fêmea soma esse presente ao veneno dela e coloca tudo dentro dos ovos. Os ovos já nascem protegidos, antes mesmo de existir uma lagarta ali.
E a fêmea escolhe com quem fica. O macho fabrica um perfume a partir desse mesmo veneno, e o cheiro denuncia o tamanho da despensa dele. Perfume forte quer dizer presente grande, e é nesse macho que ela costuma aceitar.
Fotografei as primeiras em 7 de maio de 2022, em Maresias, no capim alto. Nesse mesmo dia encontrei uma presa na teia, com a aranha em cima dela, e não vi como aquilo terminou. As outras fotos são de 16 de junho de 2023, com a mariposa pousada em folha, as asas fechadas e o rosado aparecendo por baixo.
Ela é branca com pintas pretas, as asas de baixo rosadas, e voa de dia, sem pressa nenhuma. Quem anda devagar e no claro, à vista de todo mundo, em geral tem um bom motivo.
Fontes: Eisner e colaboradores, Sexually transmitted chemical defense in a moth (PNAS, 1999); Eisner e Meinwald, The chemistry of sexual selection (PNAS, 1995); Eisner, Unpalatability of the pyrrolizidine alkaloid-containing moth Utetheisa ornatrix to wolf spiders (Psyche, 1991); Universidade da Flórida, ficha da ornate bella moth.