Surucuá-variado

Trogon surrucura

Grupo
Aves
Onde foi registrada
Ilhabela, Perequê
Status de conservação
Pouco preocupante (LC)
Endemismo regional
Sim
Fotografias
2

Sabe onde esse passarinho bonito faz o ninho? Cavando um buraco em cupinzeiro. O surucuá-variado escava a casa em troncos podres e, muitas vezes, direto num cupinzeiro de árvore, e o casal divide o serviço: os dois cavam, os dois chocam, os dois cuidam dos filhotes.

E ele é um dos passarinhos mais elegantes da nossa mata: costas verde-acinzentadas com brilho metálico e a barriga vermelha viva no macho (existe também uma forma de barriga alaranjada). A fêmea veste tons discretos de marrom e canela. A cauda larga, vista por baixo, tem faixas claras e escuras, como uma persiana.

A família dele, a dos surucuás, tem uma exclusividade no mundo das aves: o arranjo dos dedos. Neles, os dois dedos que apontam pra trás são os de dentro, um jeito de pé que nenhum outro grupo de aves tem. Pé assim é ótimo pra ficar pousado e péssimo pra andar. E ele resolve isso não andando: fica quase imóvel no poleiro por longos minutos, na sombra, e só se entrega quando troca de galho num voo macio.

Do poleiro, faz tudo: sai em investidas curtas pra apanhar uma frutinha ou um inseto e volta pro lugar. De manhã cedo, canta uma série de notas graves e ocas, espaçadas, que ecoam na mata.

Essa foto fiz no Perequê, em Ilhabela. Ele estava ali, paradão, do jeito de surucuá, me dando todo o tempo do mundo.

Na mata, vale inverter a lógica: em vez de procurar movimento, procura o passarinho que não se mexe. Às vezes é um surucuá, que já estava te olhando faz tempo.

Surucuá-variado (Trogon surrucura), aves, fotografado em Perequê, Ilhabela Surucuá-variado (Trogon surrucura), aves, fotografado em Perequê, Ilhabela

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