Pitiguari
Cyclarhis gujanensis
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Ilhabela, Perequê
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 5
O pitiguari canta o próprio nome. Presta atenção no assobio dele: "pi-ti-guari, pi-ti-guari", uma melodia insistente que domina as manhãs. O povo ouviu, repetiu, e pronto: o pássaro se apresentou sozinho e ficou batizado pra sempre. Poucos bichos no mundo têm essa honra, de assinar o próprio nome no ar.
E ele adora cantar. Canta alto, canta cedo, canta o dia quase todo, muitas vezes bem exposto no alto de uma árvore. Em muitos lugares, é a primeira voz que se ouve quando o sol nasce. Você vai ouvir o pitiguari muito mais vezes do que vai ver.
Quando conseguir ver, repara: é um pássaro robusto, de bico levemente curvado na ponta, dorso verde-oliva e uma sobrancelha ruiva bem marcada, que dá a ele uma cara de sério, de professor examinando a classe. E examinar é mesmo o trabalho dele: passa o tempo inspecionando folhas e ramos, devagar, procurando insetos e aranhas escondidos. De vez em quando aceita uma frutinha de sobremesa.
O ninho é uma cestinha firme, bem escondida entre as folhas, onde o casal divide as tarefas: os dois chocam, os dois alimentam.
Essa foto fiz no Perequê, em Ilhabela, primeiro veio o assobio, insistente, e demorou até eu achar o cantor no meio da copa.
Amanhã de manhã, abre a janela e escuta. Se um assobio repetido soletrar "pi-ti-guari", responde baixinho: prazer, já sei seu nome.
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