Saracura-lisa
Amaurolimnas concolor
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Ilhabela, Perequê
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 3
Tem ave que vive do nosso lado e a gente passa a vida sem ver. A saracura-lisa é campeã nisso: os estudiosos contam que ela consegue passar despercebida até nos lugares onde é relativamente comum. Mora ali, canta ali, cria filhote ali. E ninguém fica sabendo.
O segredo é um combo de discrição. Primeiro, a roupa: marrom-castanha inteira, sem listra, sem mancha, sem nada. É por isso que se chama "lisa". No meio da vegetação encharcada e escura onde ela vive, essa cor uniforme é uma capa de invisibilidade. Segundo, o costume: quando pressente perigo, ela não voa. Corre e se esconde. Voar é o último recurso de quem prefere ser sombra.
A casa dela são os cantos alagados de dentro da mata: brejo sombreado, beira de pântano com capim alto e taquara. Ali ela passa o dia fuçando o chão úmido atrás de invertebrados e outros bichinhos, no maior silêncio.
Quer ouvir uma? Só nos horários dela: de manhã bem cedo ou no cair da tarde, quando solta sequências graves que ecoam de dentro da mata. É o único momento em que ela conta que existe.
Por tudo isso, essa foto é uma das minhas preciosidades. Foi no Perequê, em Ilhabela, e eu sei bem a sorte que foi: fotografar uma saracura-lisa é vencer o esconde-esconde contra a melhor jogadora do campeonato.
Proteger os brejos de dentro da mata é proteger ela. Porque bicho invisível tem um risco a mais: pode ir sumindo de verdade sem que ninguém perceba a diferença.
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