Batuiriçu
Pluvialis dominica
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Ilhabela, Perequê
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 2
Essa ave da foto veio de mais longe do que a maioria de nós vai na vida inteira. O batuiruçu nasce lá no extremo norte do planeta, num mundo de frio e gelo, e voa até aqui. Todo ano. Ida e volta. É uma das viagens mais longas que uma ave faz no mundo: somando o ano, dá em torno de quarenta mil quilômetros, quase uma volta completa na Terra.
E boa parte desse caminho é por cima do mar aberto, voando dias seguidos sem ter onde pousar. Sem mapa, sem parada, sem reclamar.
Tem mais um detalhe de mestre: ele não volta pelo mesmo caminho que veio. Vai por uma rota e retorna por outra, desenhando um circulão no mapa do continente. Os estudiosos chamam isso de migração em volta; eu chamo de saber viajar.
Quando chega por aqui, no nosso verão, ele está de roupa simples: tons de cinza e marrom, discretos, pra descansar e comer sossegado. É que a roupa de gala fica guardada pra época de namoro, lá no norte: costas salpicadas de dourado e preto, um visual completamente diferente.
Aqui ele frequenta campos, praias e restingas, caçando do jeito clássico da família: uma corridinha rápida, para de repente, olha, bica um bichinho do chão, e corre de novo. Corre-para-bica, o dia todo.
Essa foto fiz no Perequê, em Ilhabela. Um viajante daqueles parado na nossa areia, engordando pra próxima etapa.
Quando você vir uma ave dessas paradinha na praia, faz as contas comigo: aquelas pernas finas já cruzaram o planeta. E vão cruzar de novo.
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