Maracujá-de-restinga
Passiflora mucronata
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 14
Esse maracujá marca encontro com morcego. E o horário é de madrugada mesmo: enquanto os maracujás mais conhecidos fazem festa de dia pras mamangavas, o maracujá-de-restinga abre a flor lá pelas quatro da manhã, ainda no escuro. E abre num estalo: os cientistas cronometraram, a flor se escancara em uns quinze segundos, como quem chega atrasado na própria festa.
E o branco não é à toa. No escuro da restinga, é a cor que mais aparece. O morcego chega guiado pelo cheiro e pela claridade da flor, enfia a cabeça pra beber o néctar e sai lambuzado de pólen, que vai entregar na próxima flor. A janela é curta: logo o céu clareia, e lá pelo meio da manhã a flor já vai se fechando. Os cientistas estudaram direitinho: essa é uma das flores brasileiras feitas sob medida pra morcego.
De resto, ele é um maracujá legítimo: uma trepadeira de gavinhas, aqueles fiozinhos enrolados que agarram no que encontrar, subindo pela vegetação atrás de sol. A flor tem a coroa de fiapos no centro, a cara clássica da família.
Ele é filho daqui: nasce na vegetação de praia, na restinga, aguentando vento salgado e chão de areia. E ainda tem um truque de defesa: as folhas dele oferecem docinho pras formigas, e as formigas, em troca, patrulham a planta espantando quem quer comer as folhas. Um exército contratado a base de açúcar.
No outono vêm os frutos, e aí aves e pequenos mamíferos comem a polpa perfumada e espalham as sementes pela restinga.
Essa foto fiz no caminho da praia, aqui em Maresias, com ele enroscado no mato da beira. A gente vê a planta, as gavinhas, com sorte a flor branca ainda aberta de manhã cedo. A visita do morcego, essa acontece quando todo mundo aqui está dormindo.