Nidularium
Nidularium
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 3
As flores dessas bromélias não sobem. Ficam lá embaixo, encolhidas no fundo do funil de folhas, quase escondidas, como filhotes dentro de um ninho. Foi olhando pra isso que os botânicos batizaram o grupo: o nome que deram vem do latim e quer dizer ninho pequeno.
Pra compensar o esconderijo, elas fazem propaganda. Na época de florir, as folhas do meio da planta mudam de cor e ficam vermelhas ou alaranjadas, um círculo aceso bem no centro do verde. Folha colorida em bromélia funciona como placa: chama de longe quem vem beber.
E aí está a pegadinha: aquele vermelho no meio não é a flor. É a embalagem. A flor de verdade é pequena e continua lá no fundo, no escuro do funil, deixando a folha fazer o trabalho de aparecer.
Esse grupo é só nosso. São quase cinquenta espécies, e nenhuma delas cresce naturalmente fora do Brasil, com a maioria bem aqui, nessa mata que sobe do mar até a serra. Elas fogem do sol forte: vivem no chão sombrio e úmido da floresta, embaixo das árvores, na parte que fica na penumbra o dia inteiro, e também em tronco.
Um estudioso brasileiro gostou tanto delas que escreveu um livro inteiro, de mais de duzentas páginas, só sobre esse grupo de bromélia. Só sobre as bromélias de ninho.
A da foto estava em Resende, e me pegou pelo vermelho: o meio aceso chama o olho muito antes da gente reparar na planta inteira.
Uma planta que esconde a flor e pinta a folha pra avisar onde ela está. Quem inventou isso não foi bobo.