Borralhara
Mackenziaena severa
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Ilhabela, Perequê
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 1
Olhos vermelhos no escuro da mata: é a borralhara. Vermelhos de verdade, tanto no macho quanto na fêmea, e quando a luz atravessa a folhagem e bate naquele olhar, parece coisa de história de assombração. Mas é só ela, uma das maiores do grupo dos papa-formigas da Mata Atlântica.
O macho é escuro, quase todo preto, com barrinhas claras e um topete que ele levanta quando fica desconfiado, tipo um moicano. A fêmea é tão diferente que parece outro pássaro: castanha, toda riscadinha. Os dois vivem juntos no emaranhado de cipós e taquaras, inspecionando tronco caído por tronco caído atrás de insetos graúdos.
Ver, que é bom, quase ninguém vê. A borralhara é bicho de ouvir: o canto é forte e viaja longe pela mata, mas ela mesma fica escondida no escuro do sub-bosque, no meio dos bambuzais. Muitas vezes o casal canta em dueto, um respondendo o outro, avisando que aquele pedaço de mata já tem dono.
Essa foto fiz numa trilha no Perequê, em Ilhabela. Fiquei um tempão parado, esperando ela resolver aparecer num galho baixo. Quando apareceu, com o topete em pé e o olho vermelho brilhando, valeu cada minuto.
Um dia, se a gente ouvir um canto forte vindo de dentro de um bambuzal, já sabe: pode ser ela nos vigiando de lá, com aqueles olhos de brasa.
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