Maria-preta-de-garganta-vermelha
Knipolegus nigerrimus
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Serrinha do Alambari
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 2
O nome promete uma garganta vermelha, mas quando o macho aparece, cadê? É um pássaro todo preto, de um preto aveludado que ganha um brilho azulado no sol. O segredo do nome está na fêmea: é ela que carrega a garganta riscada de ferrugem avermelhada. Batizaram a espécie pela roupa dela, não pela dele.
E isso já é uma raridade. Nesse grupo de pássaros, as fêmeas costumam ser marrons, bem diferentes dos machos. Aqui não: ela também é escura, quase igual ao companheiro, só denunciada pelos risquinhos da garganta. Um casal de pretinho, combinando.
Os dois guardam ainda um truque de manga: uma faixa branca escondida nas penas da asa, que praticamente só aparece quando o pássaro voa. Parado, é escuridão; voando, pisca branco.
Essa maria-preta é brasileira de carteirinha: não existe em nenhum outro país do mundo. E é exigente com endereço: só vive nas partes altas das serras, acima de uns 700 metros, nos campos de altitude e nas bordas de mata com pedra aparecendo.
O palco preferido dela é uma rocha ou um galho alto e exposto. Dali, canta, vigia e sai em voos curtos pra apanhar insetos no ar, voltando sempre pro mesmo posto. No comecinho da manhã, a silhueta preta recortada contra o céu da serra é uma pintura.
Essa foto fiz na Serrinha do Alambari, na serra em Resende. Eu estava sozinho, o ar gelado, e ela pousada na pedra como se fosse a dona do lugar. E ali em cima, convenhamos, é mesmo.