Dituí
Drymophila ferruginea
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Ilhabela, Perequê
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 1
Tem um passarinho com nome de tempestade: trovoada. Também chamam ele de dituí. É pequeno, cor de ferrugem, e só existe na Mata Atlântica do Brasil. Em nenhum outro lugar do planeta.
E ele tem um truque esperto. De vez em quando, um exército de formigas sai varrendo o chão da mata, e todo bichinho que estava escondido foge correndo pra não ser pego. A trovoada aproveita a correria: fica por perto e vai catando os insetos que escapam das formigas. As formigas fazem o trabalho pesado, ela fica com o lanche.
No dia a dia, ela vive aos pares no meio das taquaras e dos cipós, quase sempre pertinho do chão, revirando galho fino e bromélia atrás de bichinhos. O canto é uma série de notas secas e rapidinhas, que entrega onde ela está mesmo quando não dá pra ver nada.
Ela é exigente com a casa: gosta de mata úmida, sombreada, com bambuzal. Onde a floresta é derrubada ou vira só uns pedacinhos, ela some. Por isso os pesquisadores dizem que a trovoada é uma espécie de termômetro: se ela está cantando, a mata vai bem.
Essa foto fiz no Perequê, em Ilhabela. Eu estava sozinho na mata, ouvindo o canto chegar cada vez mais perto, até ela pintar num galho a um metro do chão.
Quem sabe um dia a gente escuta uma trovoada juntos. Não a do céu: a de penas.
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