Coió

Dactylopterus volitans

Grupo
Peixes
Onde foi registrada
São Sebastião
Status de conservação
Pouco preocupante (LC)
Fotografias
2

Esse peixe anda. No fundo do mar, sobre a areia, o coió caminha apoiado em "dedos": alguns raios das nadadeiras da frente são separados do resto e funcionam como dedinhos, que ele usa pra se apoiar e pra tatear o chão, revirando a areia atrás de camarão, molusco e peixinho escondido. Um peixe passeando de quatro, procurando o almoço com as mãos.

E esse é só o primeiro truque. O segundo é o golpe de teatro: o coió guarda, dobradas junto ao corpo, duas nadadeiras enormes e arredondadas, pintadas com bordas azuis e manchas que brilham feito vitral. Pousado na areia, ele é discreto, cor de fundo de mar. Mas se um predador chega perto demais, ele abre as duas de uma vez, como quem abre uma capa mágica: uma explosão de asas azuis onde antes só tinha areia. O susto é o escudo dele.

Por causa dessas "asas", tem gente que chama ele de voador-de-pedra. Mas ele não voa, nem fora nem dentro da água: as nadadeiras gigantes servem pro susto e pra manobras rentes ao fundo. A cabeça, coberta de placas duras feito um capacete, completa a armadura.

E ainda tem um terceiro talento: o coió produz sons. Uns roncos audíveis debaixo d'água, que ele usa pra conversar com os da espécie dele.

Essa foto fiz mergulhando aqui em São Sebastião, e ver o momento em que ele abre as asas azuis é daquelas cenas que a gente não esquece: o fundo do mar ganhando, de repente, um par de vitrais.

Um peixe que anda com as mãos, se veste de pedra e guarda um arco-íris dobrado. E mora aqui, no nosso quintal de água salgada.

Coió (Dactylopterus volitans), peixes, fotografado em São Sebastião Coió (Dactylopterus volitans), peixes, fotografado em São Sebastião

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