Cauabori-roxo
Coccocypselum condalia
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- Pedra Selada
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 3
Azul de verdade é uma das cores mais raras da natureza. Flor azul é difícil, fruta azul é mais difícil ainda. E essa plantinha rasteira, que quase ninguém nota, guarda no chão da mata uns dos azuis mais bonitos que existem: frutinhos azul-violeta, brilhantes, parecendo contas de vidro perdidas na serapilheira.
Ela é pequena de tudo. Uma ervinha que se arrasta pelo chão úmido e sombreado, com ramos finos, folhinhas ovais e flores tão miúdas que passam batido até pra quem procura. O trabalho dela é silencioso: forrando o chão, ajuda a segurar a umidade da terra e protege o solo da chuva forte.
Mas quando os frutos azuis acendem, no verão, a estratégia fica clara. Aquele azul improvável não é enfeite, é anúncio luminoso rente ao chão, feito pra quem vive lá embaixo: as aves que andam pelo assoalho da mata, como as tovacas, e os sabiás que vasculham a serapilheira. Elas comem as continhas azuis e saem espalhando as sementes pela floresta.
É a tática da pequena: não podendo competir com as árvores lá em cima, ela montou sua vitrine no andar térreo, com a cor mais rara da vizinhança.
Essa foto fiz subindo a trilha da Pedra Selada, olhando pro chão na hora certa.
Fica a dica pra nossa próxima caminhada: de vez em quando, esquece as copas e olha pros pés. As coisas mais raras da mata às vezes estão na altura do seu tênis.