Caramujo-amora
Claremontiella nodulosa
- Grupo
- Moluscos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 2
Uma amora no costão? Chega mais perto: é um caramujo. A concha dele é escura e toda coberta de bolinhas enfileiradas, tão parecida com a frutinha que em inglês ele ganhou o apelido de "amora-do-mar". Mas essas bolinhas não são enfeite: a superfície cheia de relevo ajuda ele a se agarrar firme na pedra, bem onde as ondas estouram.
Porque a casa dele é logo ali, no lugar mais difícil: a faixa do costão que ora fica embaixo d'água, ora fica no ar, apanhando de onda o dia inteiro. Ele aguenta tudo isso enfiado nas frestas, embaixo das algas, colado na rocha.
E que ninguém se engane com o tamanho pequeno: é um caçador. Ele come cracas e mariscos que vivem grudados na pedra, aqueles bichos que não podem fugir. Com a língua de dentinhos e um cuspe que ajuda a amolecer, vai furando a casca da presa devagarinho, até alcançar o lado de dentro. Pode demorar, mas a presa não vai a lugar nenhum mesmo.
Comendo cracas e mariscos, ele decide, sem saber, quem cresce e quem não cresce no costão. Se ele sumisse, as cracas tomavam conta de tudo.
Essa foto fiz no costão, aqui em Maresias, numa maré baixa de manhã, procurando bem nas frestas molhadas.
E fica a lição do costão: nem tudo que parece fruta é fruta. Às vezes a amora tem dente.