Bifrenaria
Bifrenaria
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião
- Fotografias
- 2
Tem gente que chega perto e acha que é flor de mentira, dessas de decoração.
A culpa é da textura. As flores desse grupo são grossas, firmes, com brilho de cera, e ficam arrumadas na haste de um jeito tão certinho que à primeira vista parecem feitas à mão. Só que são de verdade, abriram sozinhas, e ainda por cima cheiram.
E duram. Uma flor dessas aguenta quinze, vinte dias aberta quando está abrigada do sol forte e da chuva batida. Pra orquídea, que às vezes tem um dia só de vida, isso é uma eternidade.
O perfume muda de espécie pra espécie, e às vezes até de planta pra planta dentro da mesma espécie. Tem colecionador que junta várias só pra comparar cheiro, e cada uma sai um pouco diferente da outra.
O nome do grupo é uma pista escondida: quer dizer "duas rédeas", por causa de dois tirantes que seguram os pacotes de pólen lá dentro da flor. Alguém precisou olhar muito de perto, com muita calma e boa luz, pra batizar uma planta inteira por causa de um detalhe desse tamanho.
São umas vinte espécies, todas da América do Sul, e as nossas vivem na Mata Atlântica e no cerrado, da Bahia ao Rio Grande do Sul. Crescem tanto agarradas em árvore quanto em pedra.
Essa eu encontrei em São Sebastião, florida em novembro, entrando no calor.
Se cruzar com uma dessas, resista à vontade de levar pra casa. Ali no galho ela dura vinte dias de flor e uma vida inteira de planta. Arrancada, dura bem menos, e some do lugar pra sempre.