Vriésias

Vriesea

Grupo
Plantas
Onde foi registrada
Resende
Fotografias
1

Algumas dessas bromélias só abrem a flor depois que escurece. E quem chega pra beber não é beija-flor: é morcego.

Isso vale pra um punhado de espécies do grupo, e os cientistas só descobriram olhando de perto, à noite. As flores dessas espécies abrem quando o sol se põe, são largas feito um tubo, têm cor esbranquiçada ou de ferrugem, soltam muito néctar (a água doce da flor) e exalam um cheiro forte, meio desagradável pro nosso nariz. Nada disso é propaganda pra gente. É propaganda pra morcego.

A maioria das vriésias, porém, segue o horário comercial e recebe beija-flor de dia. Esse é um dos maiores grupos de bromélias do Brasil: só na Mata Atlântica são mais de 160 espécies, e boa parte delas não existe em nenhum outro canto do mundo. Quando um pedaço dessa mata cai, cai junto uma planta que não tem pra onde ir.

Tem um jeito de reconhecer sem nem olhar direito: passa o dedo na beirada da folha. Quase toda bromélia tem uma serrinha de espinhos na borda, que arranha. As vriésias não. A folha delas é lisa, macia, de beirada limpa.

Em muitas, a flor vem numa haste achatada, com as folhas coloridas encaixadas uma sobre a outra como cartas de baralho abertas na mão. De longe parece uma espada colorida saindo do meio da planta.

Terminada a florada, cada flor vira uma cápsula seca que racha sozinha. E cada semente lá de dentro sai com um tufo de pelos na ponta, um paraquedas. O vento pega e leva pro alto, pra um galho longe. É assim que uma árvore inteira amanhece cheia de vriésia sem ninguém ter plantado nada.

Essa vriésia da foto apareceu numa saída em Resende. É dessas plantas que, depois que você aprende a enxergar, começa a aparecer em toda árvore que você olha.

E se um dia você achar uma de flor clara e cheiro forte, marca o lugar e volta lá quando anoitecer. É bem capaz que ela esteja escancarada, esperando um cliente que voa no escuro.

Vriésias (Vriesea), plantas, fotografado em Resende

Mais em Plantas

Fechar × ‹ ›