Cogumelo-gigante

Macrocybe titans

Grupo
Fungos
Onde foi registrada
Queluz
Status de conservação
Não avaliada (NE)
Fotografias
4

Encontrei um cogumelo gigante em Queluz, no pé de uma árvore, perto de um pasto. Depois fui descobrir que eles podem chegar a um metro de chapéu, de ponta a ponta, e que são os maiores de todos os cogumelos que têm lâminas por baixo do chapéu, aquelas dobras finas onde se forma o pó que gera cogumelos novos, em todo o lado americano do planeta. O maior já medido e guardado numa coleção de universidade tinha 75 centímetros, quase um tampo de mesa. Os que já se mediu aqui no Brasil são bem menores, mas a espécie chega lá.

O engraçado é onde ele escolhe aparecer. Não é no fundo da mata. É em terra remexida: beira de gramado, canto de estacionamento, chão que máquina revirou. Num levantamento antigo, ele brotou numa área de mineração que tinha sido aplainada, semeada com grama e adubada, e o primeiro apareceu ali cerca de catorze meses depois de o trator passar.

Ele também não nasce de um dia para o outro, como quase todo mundo acha. Os pesquisadores que acompanharam o crescimento contaram de duas a quatro semanas até ele chegar ao tamanho final. É quase um mês de obra, quieta, debaixo da grama.

E nunca vem sozinho. Os pés se colam uns nos outros lá na base, e a touceira sobe junta, um chapéu empurrando o outro, até virar um bolo branco no chão.

Nada disso ele tira de árvore viva. O cogumelo é só a parte que aparece, como se fosse a fruta. O corpo dele é uma teia de fios finíssimos espalhada debaixo da terra, comendo raiz velha, pedaço de madeira enterrada e folha apodrecida. Por isso ele procura chão gordo, carregado de coisa morta. Meu palpite sobre o de Queluz é esse: aquele chão vinha recebendo esterco de vaca havia muito tempo, e o gigante achou a despensa cheia.

Comer, dá. Ele está numa lista de cogumelos silvestres comestíveis do Brasil, com evidência de consumo por aqui. Mas antes de qualquer coisa vem a regra que vale para tudo que se colhe no mato, e que para cogumelo vale em dobro: não se come nada sem ter certeza do que é. Cogumelo não se identifica por foto nem por parecença, e em cogumelo o erro às vezes não dá segunda chance. Se não for com quem entende de verdade, o lugar dele é no chão, onde ele está.

Dito isso, esta espécie tem três avisos, e nenhum é pequeno. Nunca cru, porque ela guarda mais cianeto que as parentes do mesmo grupo e precisa de fervura. Quando é novinha, lembra um cogumelo venenoso que é comum em gramado. E o sabor é loteria: quem descreveu lá fora sentiu cheiro de farinha de peixe, quem colheu no Paraná achou amargo, e tem quem diga que cheiro e sabor são agradáveis.

Por aqui ele é do verão chuvoso, de janeiro a abril. Se você passar perto de um pasto ou de um gramado velho nessa época, olha o pé das árvores. Um gigante desses pode estar levando semanas para crescer bem ali, sem ninguém reparar.

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