Tatu-galinha
Dasypus novemcinctus
- Grupo
- Mamíferos
- Onde foi registrada
- Caraguatatuba, Centro
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 1
A mãe do tatu-galinha faz uma coisa que quase nenhum outro bicho do mundo faz: ela dá à luz quatro filhotes idênticos. Quatro gêmeos de verdade, cópias perfeitas um do outro, todos nascidos de um único ovinho que se dividiu em quatro. É como se a natureza tirasse quatro xerox da mesma folha, toda vez.
E o resto dele também é pura engenharia. O corpo é coberto por uma armadura de placas de osso, com nove cintas móveis no meio das costas que deixam o "blindado" se dobrar pra andar, cavar e se enfiar em qualquer buraco. Focinho comprido, orelhas grandes e unhas fortes nas patas da frente, feitas pra escavar de verdade.
O trabalho dele é revirar o chão. Com um faro apuradíssimo, encontra formigas, cupins, larvas e besouros escondidos na terra e na camada de folhas. Vai deixando pelo caminho umas escavações rasas, umas trincheirinhas, que são a assinatura dele. E enquanto procura comida, ainda afofa e areja o solo da mata.
Agora a parte que parece história de pescador, mas é documentada: quando precisa atravessar um rio, o tatu-galinha consegue prender a respiração por até seis minutos e cruzar andando pelo fundo. Esse fôlego todo ele treinou cavando, com o focinho enfiado na terra. E se leva um susto, dá um pulo pra cima, um salto vertical de mais de um metro, saindo do chão feito mola.
De dia ele dorme na toca; o melhor horário pra topar com um é no comecinho da noite. Se você encontrar uma trilha com a terra revirada em covinhas, já sabe: os quatro gêmeos e a mãe deles moram por perto.