Garibaldi
Chrysomus ruficapillus
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Queluz
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 9
O berço desse passarinho balança sobre a água. O garibaldi amarra o ninho nos talos das plantas do brejo, preso na taboa e no capim alto, e ali os filhotes crescem embalados pelo vento, cercados de água por todos os lados. Pra muita cobra e muito bicho que gostaria de comer um ovo, chegar lá é missão complicada.
O macho é fácil de reconhecer: preto lustroso com uma boina castanha viva no alto da cabeça, que aparece bem quando ele sobe num talo pra cantar. A fêmea é o oposto: parda, toda riscada, uma mestra da camuflagem no meio do capim. Ele chama a atenção, ela desaparece. Cada um com sua estratégia.
E ele tem outro nome que conta uma história: papa-arroz. É que o garibaldi adora arrozal. Onde o homem alagou terreno pra plantar arroz, ele viu um brejo enorme cheio de comida e se convidou pra festa, nem sempre com aplauso dos donos da plantação.
É um pássaro de turma. Fora da época de criar filhotes, junta-se em bandos que vão de brejo em brejo, seguindo a água e a fartura de sementes e insetos. Os chamados são ásperos, metálicos, e ajudam o grupo a se manter junto.
Na hora de nidificar, muitos casais fazem os ninhos pertinho uns dos outros, formando pequenas vilas penduradas na vegetação do banhado.
Essa foto fiz num brejo pertinho de casa, aqui em Maresias, com ele cantando de cima de um talo.
Brejo parece só matagal molhado, mas repara: cada moita de taboa pode estar segurando um berço que balança. O garibaldi depende desses lugares pra existir.
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