Aspisoma lineatum
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O vaga-lume que você vê brilhando de noite já foi uma larva caçadora de caramujo. E ela caça de um jeito que parece história inventada: encosta no caramujo, injeta uma substância que amolece o bicho por dentro, espera, e depois toma. Um vaga-lume filhote é um predador silencioso do chão úmido.
A luz do adulto é o que chamam de luz fria. Quase toda a energia vira brilho, e quase nada vira calor. É por isso que ele pode acender e apagar a noite inteira colado numa folha sem se queimar.
E aquele piscar não é enfeite, é conversa. Cada espécie tem o próprio código: o intervalo entre uma piscada e outra, quantas piscadas seguidas, a altura do voo. O macho pisca a senha dele voando, e a fêmea, parada no mato, responde na hora certa. Errou o tempo, não é da mesma espécie e não tem encontro.
Este aqui é marrom com as bordas amarelo-claras e umas linhas escuras descendo pelas costas. A cabeça fica escondida embaixo de uma placa, como se ele usasse um capuz.
Fotografei em agosto de 2026, no Indaiá, em Caraguatatuba, e é uma foto incomum: um vaga-lume de dia, parado num talo verde contra o céu azul, esperando anoitecer.
Esta espécie tem trezentos e dois registros no iNaturalist no mundo inteiro.