Cores da Serra do Mar em Setembro
A espera pelo amarelo
Em setembro a Serra do Mar em São Sebastião ainda está toda verde, mas quem conhece o ritmo da Mata Atlântica sabe que o cenário está prestes a mudar. Duas árvores nativas pintam a encosta com o mesmo amarelo, em tempos e jeitos diferentes.
O ipê-amarelo (Handroanthus albus) é o tudo ou nada: derruba todas as folhas, fica despido e seco, e então explode em buquês de um amarelo puro e denso. A florada vem entre agosto e setembro e dura pouco, de sete a dez dias, até as pétalas caírem e formarem um tapete dourado no chão.
O guapuruvu (Schizolobium parahyba) é uma das árvores de crescimento mais rápido da nossa floresta. Mantém a estrutura alta e majestosa, e as flores amarelas formam hastes longas, como nuvens douradas flutuando sobre a copa. Começa no fim de agosto e setembro e segue com mais fôlego pela primavera, muitas vezes até outubro ou novembro.
Ainda não vejo o amarelo salpicar a encosta, mas o calendário da natureza não falha: os ipês e guapuruvus já ensaiam a abertura, e em poucos dias a serra vai lembrar por que a primavera por aqui é inesquecível.
- Guapuruvu (Schizolobium parahyba), Amarelo-ouro
Amarelo enorme na primavera, árvore nua e altíssima; logo depois brota o verde. - Pau-jacaré / angico (Piptadenia gonoacantha), Verde-forte (folhas novas)
O verde-vivo da folhagem rendada que brota no fim do inverno, antes de florir. - Ipê-amarelo (Handroanthus serratifolius), Amarelo
Derruba todas as folhas antes de florir; a florada dura de sete a dez dias e depois vira tapete no chão. - Caixeta (Tabebuia cassinoides), Branco
Flor branca na mata alagada; quando o sol atravessa a copa, ela acende no meio do verde. - Jacarandá (Jacaranda), Roxo
Floração roxa que cobre a copa inteira depois que a árvore derruba as folhas.